Entrevista

Entrevista completa da revista Naruto Michi com Eiichiro Oda (One Piece) e Masashi Kishimoto (Naruto), confira!


Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.

Jovem aventureiros! Hoje trago a vocês uma divertida e épica entrevista feita pela Naruto “Michi ” (Caminhos de Naruto) com os mangakás mais famosos do japão, o Eiichiro Oda criador de “One Piece” e de Masashi Kishimoto com sua obra “Naruto”. Entenda um pouca da grande amizade e até a rivalidade saudável que os dois tiveram ao longo dos anos e curta algumas curiosidades da vida pessoal e profissional deles.

A entrevista abaixo foi traduzida diretamente da revista Naruto Mechi, onde a dupla foi entrevistada por mais de 4 horas, o que acabou rendendo incríveis 13 páginas que foram publicadas em maio desse ano no japão, os créditos para tradução do Brasil estarão ao fim do post, mas de ante mãos agradeçam ao pessoal da One Piece Ex pelo grande esforço e dedicação.

 /// ♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦ \\\

  • Entrevista e crossover com Oda e Kishimoto, Naruto e One Piece juntos!

Atenção, leia-se onde está “E” para o entrevistador, onde está “O” para se referir a Oda de One Piece, e onde está “K” para o Kishimoto de Naruto. Senta que lá vem muita história e vamos a entrevista!

 

Kishimoto-e-Oda-1

Scan da entrevista com Luffy e Naruto.

 

PARTE 1 – AMIZADE E RIVALIDADE

E: Quando foi que vocês dois se conheceram?

K: Quando… Acho que foi quando eu ainda era um mangaká novato. No evento da Jump.

O: É isso mesmo?

K: Talvez. (Risos) Na época, a minha impressão sobre ele foi que ele era um grande e famoso sensei.

O: O que você está dizendo… ?! (sorriso irônico) (Oda estava dizendo “você está tirando sarro da minha cara” amigavelmente).

K: Nah… Porque Oda começou a corrida de sua série de mangá 2 anos antes de mim. Eu realmente o achei ser um Super Homem Incrível. Mais tarde, eu o chamava de Senhor Oda, mas ele disse (como implorando) que não deveria chamá-lo assim.

O: Eu achava desnecessário isso por sermos da mesma idade. Porque eu iria ouvir o sensei dele até quando conversávamos normal…

K: Embora não sermos artistas, acho que as pessoas que são registradas na empresa antes de mim devem ser respeitadas. (Risos)

O: Eu sempre estava ciente de presença de Kishimoto desde quando ele era um novato. Ele sabe desenhar muito bem. Até certo ponto, senti que nós poderíamos ter o mesmo estilo.

K: Qual estilo?! (sorriso embaraçoso)

O: É como o sentimento de termos o mesmo Ki, como do Mestre Kame (Dragon Ball). (Risos) Desde o início, eu sempre fiquei na defensiva com você. (Oda sempre quis ganhar do Kishimoto).

K: Entendo, você teve essa determinação na época. (Risos)

O: Porque nós fazemos o mesmo gênero de mangá, e eventualmente, haverá um vencedor e um perdedor. No entanto, depois que eu o conheci pessoalmente, descobri que ele é realmente um homem bom e gentil. E de repente, me fez pensar que o resultado não me importava mais. Eu não poderia competir com um homem como ele. Isso foi o que eu pensei na época.

K: Eu acho que é por isso que nós dois entendemos muito bem o trabalho um do outro.

O: Muito agradável ouvir isso de você. Quando você está trabalhando duro, é importante saber quem disse o quê sobre você e seu trabalho. Eu sinto que você, que tem o mesmo ponto de vista do que eu, realmente entende como eu realmente me sinto, é bom saber.

K: Sim, eu entendo. (Risos) Mas acho que eu sou o único que tem menos pressão. Oda, você sempre está no topo. Seu trabalho duro e aquela dor devem ser anormais (acho que pessoas normais não conseguiriam suportar). Se eu fosse você, acho que eu teria perfuração gastrointestinal, devido à enorme pressão.

O: É maravilhoso ter Naruto como um adversário. A coisa mais sortuda que você me proporcionou foi de eu não ter uma vitória completa. Na verdade, eu nunca consegui vitórias consecutivas nas publicações semanais, além de, e mais importante, Naruto é mais popular do que One Piece em países estrangeiros. Embora uma parte de mim não se conformou com essa verdade, mas ao mesmo tempo, eu sou muito grato a você por isso. Porque a existência de uma obra como a sua é única no mundo.

K: O mesmo vale pra mim. Em vez de dizer que alcançar One Piece é meu objetivo, eu prefiro dizer que eu sempre quis vencê-lo. Sério, eu sempre pensei assim.

 

Kishimoto-e-Oda-3

Scan mostrando Kishi homegeando Oda, citado na entrevista

PARTE 2 – HOMENAGENS E FÉRIAS

E: Senhor Oda, o que você pensou quando ouviu que Naruto tinha acabado?

O: Então finalmente aconteceu. Eu me senti muito solitário. Mesmo eu já sabendo de antemão, não esperava que fosse vê-lo acabar.

K: Após o fim da série, enviei uma mensagem para Senhor Oda. Para que nós mantivéssemos contato, não foi nada tão especial. Eu me sentiria constrangido se tivesse exagerado. (risos)

E: Naruto terminou na edição #50/2014 da Jump, A capa de One Piece e outras informações com elementos de Naruto causou um grande debate.

O: Após o fim da série, o editor de mídia do Senhor Kishimoto foi meu editor antes disso, então quando o Naruto acabou, ele e eu tínhamos uma ideia do que fazer a respeito.

K: Ah, está explicado. Eu não sabia disso.

O: Mas o editor não me trouxe nada. (risos) Eu pensei em desenhar tudo em relação a Naruto naquela hora.

K: Entendi. Isso não foi fácil.

O: Eu tinha a intenção de desenhar a Lojinha de Ramem, e porque não esconder informações lá. Se ninguém encontra-se, eu mesmo diria ao Senhor Kishimoto, mas parece que foi descoberto rápido demais. (risos)

K: Eu não tinha notado na primeira vez que li. Meu irmão me chamou e falou para ler o cardápio atentamente. E eu fiz isso, nossa. (risos)

O: Por outro lado, eu acho que escondi bem, surpreendendo todo mundo que achou.

Os leitores devem ter notado quando viram a “Salada de Rúcula“.

O: Eu olhei para a comida que tinha “ru” (Lu em Luffy), mas não é comum ver isso em um pequeno restaurante. (risos)

K: Falando da capa, o Luffy estava comendo ramem e o Naruto comendo carne, isso foi muito legal.

O: O difícil é fazer o Luffy dividir sua Carne. (risos)

K: Além disso, o título desse capítulo é “SMILE”, que me fez sentir algo. Apesar de ter causado uma grande debate entre os leitores, eu acho que eu sou o único que entendeu aquela felicidade.

O: Inicialmente, não era só na capa, eu planejei esconder algumas coisas Naruto na história principal. No entanto, naquela época, era um flashback sobre Corazón, Luffy não estava nesse. Eu pensei em colocar o símbolo de Naruto no pano de fundo, e colocando as marcas da bochecha do Naruto no rosto do Luffy. Mas quando o Naruto acabou, o flashback ainda não tinha terminado.

K: Ah-ha. (risos) Quando eu vi a capa, pensei que seria uma boa continuar por um pouquinho mais.

E: No capítulo final de Naruto, Senhor Kishimotocolocou o símbolo dos Chapéus de Palha em Naruto.

O: Ah, isso. Kishimoto entrou em contado comigo e me falou disso (antes da publicação). Ele pediu para tomar posse do símbolo dos Chapéus de Palha como uma pequena pixação. Mas claro, se não fosse causar problemas. Mas no capítulo final de Naruto, eu estava preocupado com os fãs de Naruto pudessem ficar com raiva daquilo.

K: Não foi um problema. (risos) Isso poderia causar uma grande discussão se eu colocasse o símbolo lá.

O: No entanto, eu não esperava que a repercussão fosse ser tão grande. (risos) As pessoas muitas vezes acham que a relação entre diferentes mangakas da mesma revista não pode ser boa por causa da concorrência, o que não é verdade no final das contas, pois somos muito bons amigos.

K: Verdade, de fato, todos nós temos uma boa relação uns com os outros. (risos)

O: Toda a contribuição de Kishimoto serviu para deixar a Jump ter uma batalha entre dois mangás ao mesmo tempo.

K: O que você está dizendo?! (sorriso largo)

O: Séries de mangás que têm a mesma estrutura e coexistem na mesma época, facilmente fará com que seus leitores lutem para terem a preferência. Mas o Kishimoto evitou bem isso e fez um bom trabalho não se sobrepondo Naruto com One Piece.

E: Você foi afetado por outro mangá?

K: Não há dúvida de que o Senhor Akira Toriyama tem um enorme impacto. Dragon Ball nem precisa falar (que é muito bom), eu gosto de Dr. Slump também. E eu também gosto de Akira do Senhor Katsuhiro Otomo.

O: Quando eu vi pela primeira vez os desenhos do Kishimoto, me lembrou das artes coloridas impactante do Senhor Otomo.

K: Ah, você percebeu isso. (risos)

O: Como um mangaka, é fácil dizer vendo seu estilo de desenho e história quem fez essa influência.

K: Para mim, eu fui afetado pelo Dragon Ball em termos de criação de história. Estilo Shonen, desenvolvimento emocionante. Coisas como Goku ter um bebê é a minha favorita. Além disso, o desenho de Senhor Toriyama, e as suas proporções de preto e branco são extraordinário.

O: Mesmo hoje quando eu vejo ele, o desenho de Senhor Toriyama não é à moda antiga no final de contas. Incrível que ele tenha esse excelente design.

E: Tem outro mangaka que influenciou vocês?

K: Provavelmente muitos designers de animação.

O: Quando estou com Kishimoto, sempre ficamos tentando conhecer nomes de muitos designers de animação, dos quais não tínhamos ouvido falar. Quando Naruto virou anime, Kishimotoescolheu os produtores de animação ele mesmo, certo?

K: Certo. (risos)

O: Nenhum outro mangaka, exceto o Kishimoto, tem esse grande conhecimento sobre animação para fazer isso.

K: Eu sempre questiono se o produtor já foi premiado várias vezes em países estrangeiros como na França. Na verdade, quando eu ainda era um mangaka novato, eu já tinha pensado em pedir para que eu mesmo fosse o produtor se algum dia Naruto vira-se anime. Meu interesse pessoal é uma das razões, pensava nos fãs estrangeiros também para que pudessem começar a gostar de Naruto se o produtor estivesse ativo no exterior.

O: Naruto era popular mundialmente então estava preste a acontecer.

K: Hah, embora naquela época, só eu tinha o pensamento “Será que um dia isso será verdade?”.

O: Agora que o Kishimoto falou que era uma coisa impensável, mas naquela época, Naruto começou a ser animado depois de 2-3 anos, o que normalmente um mangaka não pensa assim tão longe. (E o Oda dizendo que isso é uma coisa incrível.)

E: Como é grandioso ver um sonho ter se realizado. E quem você queria que animasse seu sonho, Senhor Oda?

O: Se eu realmente tivesse que pensar em um, seria o Hayao Miyazaki.

K: Oda tem uma originalidade brilhante. Parece que ele não é afetado pelos outros.

O: Provavelmente foi pois eu fui um garoto normal que lia muitos mangás. Agora o que eu acho disso, não foi nada ruim. Talvez, eu tive sorte de nascer numa época boa quando a Jump estava em sua Era de Ouro. Eu comecei a ler quando estava na idade de aproveitá-la.

K: Isso aí, falou tudo. Histórias sendo desenvolvidas de um modo emocionante. É muito diferente você comprar os volumes fechados e ler os capítulos completos, se você compra uma Jump semanalmente e seguir a série pouco a pouco, você pode apreciá-la profundamente.

O: Nossa geração é a que mais aproveitou a Jump sem preconceitos. (risos)

Senhor Kishimoto, qual personagem ou história de One Piece que você mais gosta?

K: Eu dizendo isso não porque o Odaestá aqui, mas eu gosto de todos eles. (risos) Já personagens, gosto do Bellamy, tanto a personalidade dele quanto a habilidade. Mas meu favorito é o Chopper. Seu encontro com o Hiluluk e a Neve de Cerejeiras quando ele parte rumo aos mares foi super emocionante.

O: Eu gosto dela também.

K: No entanto, apesar de gostar do Chopper, ele é muito tímido, então ele é mais fraco que o Luffy em muitos aspectos. Por isso eu acho que o Chopper é o “verdadeiro líder”. (risos)

E: O que faz você pensar assim?

K: Hmm… Deixa eu pensar. Luffy é o protagonista, um personagem adorado, mas isso é o porquê do Chopper existir. Eu quero dizer que os dois geraram um efeito multiplicador. (Nos Chapéus de Palha) essa presença e atmosfera, na verdade o Chopper desempenha um papel importante no bando. Mesmo ele sendo bonitinho, ele é um monstro.

O: Chopper está tramando algo de mal pelas costas de todo mundo… Pare com isso, que absurdo. (risos) Deixe-me contar-lhe um segredo. Chopper cresceu em um ambiente doloroso, eu tentando torná-lo um personagem principalmente engraçado, renas andando com duas pernas. Mas o Luffy e seus primeiros amigos eram bem populares, eu não conseguia achar um lugar para o Chopper. Se tivesse feito ele como projetei, ele sobressairia sobre os outros personagens (aí as pessoas não poderiam suas particularidades), por isso mesmo, eu acabei o fazendo menor e mais bonitinho. (Isso também é mencionado no Databook Green)

K: Sério? Da minha parte, parei de invejar o Chopper.

O: Você já tinha me falado. (risos)

K: De fato, uma vez eu desenhei um mascote como personagem, desenhei um sapo. Desenhei ele na capa de um volume e edição da Jump… Foi completamente odiado.

O: (risos) Sendo honesto, sempre acontece coisas que não estão nos planos. Comigo, o Chopper foi uma delas. Acontece muito que a forma como a história se desenvolve, na verdade, é diferente do que você pensou que seria quando começou a história.

O: Mas é claro. Falando nisso, aquelas ideias vieram quando eu ainda era um jovem de 20 anos, agora o que está vindo será muito mais interessantes do que aquelas do passado.

K: Sim, isso é verdade de qualquer jeito.

O: Não posso me perder no passado. (risos)

K: Isso porque você tem uma boa quantidade acumulada de termos e ideias com o passa dor anos.

E: Aliás, há algum aspecto em particular que não é fácil para vocês dois desenharem?

K: Não sou muito bom em desenhar mulheres. Oda parece que é bom em tudo.

O: Exato, tudo.

K: Hah, não há muita coisa que eu ache incomodo, mas quando o prazo de envio está se aproximando, eu não consigo desenhar o que tem de ser feito nesse curto espaço de tempo, porque vai faltar emoção, sem falar que há um bom tempo para bolar o que desenhar no início…

O: Realmente. Eu só desenho o que eu quero desenhar.

K: Porque é isso que nos interessa.

O: É muito errado pensar que desenhamos porque esse é o nosso trabalho.

E: Senhor Kishimoto, sua mini-série de mangá vai começar em 27 de abril.

O: Quantas semanas é que vai ter?

K: O que é que vai ter o quê…

O: Você está brincando comigo?

K: Claro que não. (risos)

O: Quer dizer que você tem 15 anos de experiência, uma mini-série deve ser muito mais fácil. As pessoas ao seu redor estão de olho em você, Kishimoto, e você mesmo não está prestando muita atenção nelas. Será muito mais difícil do que você pensou re-começar uma nova série dessa vez.

K: É mesmo?

O: É uma maneira diferente de lançamento semanal como eu estou fazendo.

K: Eu tinha me afastado de lançamento semanal por um bom tempo. Eu sinto que falta um pouco de prática.

O: Além disso, inúmeras pessoas estão olhando o que vem pela frente depois que Naruto terminou, você não pode pegar leve no trabalho.

K: Você está certo.

O: Eu achei que um período de descanso seria uma coisa óbvia.

K: É difícil para um mangaka voltar a trabalhar, mesmo depois de um dia de folga.

O: Eu descansei um pouco no ano novo, foi poucos dias, e mesmo assim senti que minhas mãos estavam se tornando lentas.

K: É assim mesmo. (risos) Eu realmente não consegui desenhar o que estava pensando, e eu usei borracha muitas vezes.

O: (Quando minhas mãos estavam lentas) Eu não consegui desenhar como eu costumava ser (terminá-lo sem editar uma segunda vez)… Ah, o que aconteceu. Pode parecer inacreditável que eu desenhe melhor mesmo quando estou ocupado. (risos) Os humanos desmonstram seu melhor desempenho quando eles estão focados.

E: Qual é o maior de todos os problemas durante a produção?

K: Quando eu tive dor nas costas.

O: Isso deve ter sido terrível. (risos)

K: Houve uma vez que meu pulmão estava bem, toda vez em que me sentia cansado, eu tossia sem parar como se tivesse com pneumonia, e quando eu começava a tossir, minhas costas voltavam a doer. Foi tão difícil, naquela época por um tempo eu fiz os desenhos a lápis do mangá lá na Jump (por causa da dor). E também cai da escada com tudo…

O: Hein? O que aconteceu antes?

K: Certo, cerca de 3 anos atrás. Quando minha família e eu viajamos durante a primavera, estava sentado numa escada de pedra e em transe, perto de você sabe quem…

O: Aquilo foi perigoso.

E: Era por causa disso que você estava pensando na história?

K: Nah, Eu estava cansado.

O: Ninguém pensa em uma história com escadas. (risos)

K: Mesmo eu não tenha ficado muito machucado, eu pensei que ia morrer quando caísse. (risos)

O: Se você morresse ali desse jeito, você se tornaria uma lenda.

K: Eu não quero ser uma lenda desse jeito. (risos)

O: Hmm, entendi, ser uma lenda não é tão bom quanto parece. Eu pude pensar “tornar-se uma lenda quando morrer” quando se está prestes a morrer. Eu não quero ter esse tipo de comentários.

K: É como o Vincent Van Gogh, no entanto, com fé e honra, é como uma sensação pós-vida, rezando por ser melhor do que quando ainda era vivo. (risos)

 

Kishimoto-e-Oda-2

Oda e Kishimoto se despedindo com um apertão de mão amigável.

 

PARTE 3 – EXPERIÊNCIAS E FUTURO

E: Antes de tudo, queria agradecer por todo o seu trabalho durante os últimos 15 anos, Senhor Kishimoto.

K: O prazer é meu. Eu me sinto um pouco mais livre agora que terminou, mas ainda estou bastante ocupado com a Naruto Exhibition e várias entrevistas, sem contar o trabalho no filme. Achei mesmo que iria ter um pouco mais de folga (risos).

O: Na última vez em que te vi, logo depois do último capítulo do Naruto ser publicado, eu não te ouvi dizer “O céu ficou diferente para mim”?

K: Sim, ficou mesmo. De alguma forma, estava mais brilhante. Era um céu bem azul, sabia? (risos)

O: Isso não aconteceu comigo ainda. Por aqui, os céus ainda estão um pouco amarronzados. (risos)

K: Para mim, tudo mudou. Até a água tem um gosto diferente. (risos) Mas outro dia eu estava trabalhando no script do filme, e eu pensei: “Ei, eu não preciso fazer isso no escritório.” Então tentei sair para dar uma caminhada, mas não consegui fazer muito progresso.

O: É, sair é difícil. Às vezes eu dou uma saída para mudar os ares, mas nessas horas eu nunca tive uma ideia boa.

K: Toda as vezes que saio, sempre vejo várias lojas querendo chamar a minha atenção. Olho para a placa de um restaurante, e penso “Hmm, eu poderia entrar e ver como é,” sabem? Ou como em outro dia, em que assisti um filme bem divertido com os meus filhos. Depois disso, nós fomos comer, e ficamos conversando.

O: Que bom. Queria poder fazer isso. (risos) Mas quando se está trabalhando em uma série, é difícil dar uma parada, não é? Digo, quanto mais tempo eu fico longe da minha mesa, mais ansioso eu fico.

K: Eu era basicamente assim, também.

E: Senhor Oda, como você se sentiu quando Naruto finalmente acabou?

Oda: Eu fiquei um pouco triste. Pensei, “Então é isso, hein?” Digo, eu já sabia que a história estava chegando ao fim, mas no fundo eu não queria que isso acontecesse.

K: Quando terminei o mangá, mandei uma mensagem de LINE para o Oda. Já estávamos mantendo contato, então não senti que era algo demais. Não sou muito fã de pompa e circunstância, afinal. (risos)

E: A página-título do One Piece na edição 50 da Shonen Jump de 2014, a mesma em que saiu o capítulo final do Naruto, foi uma surpresa para todos com as suas referências aos personagens e símbolos da série.

O: O último coordenador de mídia do Kishimoto já foi o meu editor. Eu fui conversar com ele em particular, e disse “Eu tenho que fazer alguma coisa especial para o final do Naruto.” Eu cheguei àquilo que fiz depois de trocar um monte de ideias com ele.

K: Nossa, é sério? Não sabia disso.

O: No fim das contas, ele não conseguiu se decidir em nenhum plano. (risos) Então resolvi fazer o rascunho de alguns elementos do Naruto, e tive a ideia ali mesmo.

K: Que incrível. Deve ter dado bastante trabalho.

E: Lendo o começo de cada item no menu no restaurante, dá para ler “Parabéns, Naruto” escrito (em japonês), certo?

O: É, eu quis inventar alguns pratos que lembrassem os leitores do Ichiraku (o lugar onde o Naruto ia comer ramen). E também decidi incluir uma mensagem secreta. Estava esperando que ninguém mais além de você tivesse percebido, e que isso ficasse entre nós… mas todo mundo notou na hora. (risos)

K: Bem, todo mundo menos eu. Meu irmão (Kishimoto Seishi, outro mangaká) me chamou e disse “Olha para o menu na parede ali atrás. Tem uma mensagem escondida”, e foi só então que vi!(risos)

O: Mas eu ainda achei que tinha escondido melhor. Fazer o quê…

E: Parece que os leitores perceberam quando viram o escrito da “Salada Arugula”.

O: Rachei a cabeça para inventar pratos que poderiam servir no restaurante que o personagem frequentava no começo da história, mas foi difícil. (risos)

K: E aquele ali é o Naruto abocanhando um pedaço de carne, certo? Enquanto o Luffy comia ramen.

O: O Luffy dar carne para alguém é coisa rara. (risos)

K: Além disso, o título daquele capítulo do One Piece (766) era “Smile” (“Sorria”)so, o título do Capítulo One Piece 766 é SMILE. Aquilo me deu um nó na garganta. Eu sei que muita gente gostou daquela capa, mas fui eu quem fiquei mais feliz com ela.

O: Eu nunca contei isso antes, mas o plano original era te passar uma mensagem através do capítulo inteiro, e não só a capa. Eu planejei colocar símbolos do Naruto em todos os cenários, e até desenhar umas linhas no rosto do Luffy, deixando ele parecido com o Naruto… mas a história estava no meio de um flashback grande com o Corazón, e o Luffy não estava em lugar nenhum. E infelizmente, a sequência só terminou depois que o Naruto tinha acabado.

K: Nossa. (risos) Digo, olhando aquela capa, eu até queria ter feito mais coisas como essa.

E: Mas você incluiu o símbolo do Bando dos Chapéus de Palha no monumento dos Hokages, bem no fim do último capítulo, não é mesmo?

O: Ah, o Kishimoto falou comigo antes que iria fazer isso. Ele disse, “o filho do Naruto vai fazer umas pichações, será que posso incluir a caveira dos Chapéus de Palha?” E claro, não tive problema nenhum com isso. Mas eu fiquei só um pouco preocupado de os fãs do Naruto ficarem bravos, já era no último capítulo.

K: Não precisa se preocupar. (risos) Mas eu bem que imaginei que isso iria gerar alguma discussão.

O: Nem acreditei que você colocou a caveira naquela página tão grande. (risos) Muita gente parece achar que desenhistas de mangás não podem ser amigos, só porque estão competindo na mesma revista ou por qualquer outro motivo. Mas as coisas não são nem um pouco assim – muitas vezes, a gente se conhece de longa data.

K: Exato. A verdade é que todos nos damos bem. (risos)

O: Bem, o fato da Jump ter sido o lar de não só um, mas dois quadrinhos de fantasia com batalhas populares é um testamento à sua obra.

K: Dificilmente. (risos)

O: Geralmente, quando há duas séries de mangá do mesmo estilo, elas costumam competir pela mesma audiência. Mas o Kishimoto descobriu como não deixar que o Naruto e o One Piece ficassem muito parecidos um com o outro. Como no uso das cores, por exemplo. O Luffy usa bastante vermelho, então ele usou uma cor diferente para o Naruto. Não há quase nenhum tom de vermelho no Naruto, não é? Ele fez o possível para manter essa diferenciação. Dito isso, se o Kishimoto tivesse começado dois anos antes de mim e usasse o vermelho primeiro, eu provavelmente teria usado o vermelho mesmo assim. (risos)

K: Então é aí em que somos diferentes. (risos) Mas eu realmente fiz um esforço consciente por toda a série para impedir que ela ficasse parecida com o One Piece.

O: Uma coisa é falar, mas tenho certeza que deve ter sido difícil de fazer. Digo, eu mesmo tive dificuldades tentando manter o One Piece diferente do Dragon Ball.

K: Certo.

O: O Dragon Ball fez uma impressão tremenda em todo mundo; acho que cinco anos depois de ter acabado, os fãs ainda se lembravam. Com certeza foi uma das minhas histórias favoritas. Nunca teria tido chance contra ele. Então eu tive que criar algo diferente.

K: Concordo.

O: É por isso que eu realmente tento enfatizar o elemento da aventura para os leitores, ao invés das cenas de luta. Mas acho que isso foi mais difícil para o Kishimoto, já que ele tinha que evitar ficar parecido com o Dragon Ball e o One Piece.

K: Foi um processo de tentativa e erro, com certeza. O Oda estava escrevendo uma história sobre uma grande jornada, então eu tinha que ficar longe disso. É por isso que o Naruto sempre voltava para a vila entre cada missão. Além disso, o Luffy foi pouco a pouco alistando um monte de companheiros, então achei que o Naruto deveria começar a história rodeado pelos amigos dele. Dessa forma, esperava que o mangá fosse diferente desde o primeiro capítulo.

O: Isso me lembra da vez em que tive que mudar um plano por causa da sua série. Eu estava planejando chamar o Sanji de Naruto. Mas no instante em que o seu mangá começou, eu percebi que ele iria durar um bom tempo, então troquei o nome no último instante.

K: Em que etapa isso aconteceu? Você já sabia que iria usar aquela sobrancelha enrolada?

O: Já. Digo, era por causa da sobrancelha enrolada que eu queria chamar ele de Naruto (nome em japonês para o desenho da espiral). Ele era daquele jeito desde os meus primeiros esboços de personagens. Mas fico feliz de você ter começado o Naruto antes de eu ter apresentado o Sanji, senão eu poderia ter te causado um problemão.

K: Poderia.

O: Digo, o que você teria feito se o Sanji tivesse aparecido, chamado de Naruto?

K: Eu provavelmente teria mudado.

O: Mesmo sendo o personagem principal? (risos)

K: Eu teria usado algum outro nome relacionado a ramen, como “Menma” ou “Shinachiku”. (risos) Mas então eu teria que repensar o símbolo dele.

O: “Shinachiku” teria sido difícil de pronunciar para os leitores estrangeiros. (risos) Por outro lado, eu conversei com o Kishimoto antes de apresentar o golpe “Gigant Pistol” -sabe, o golpe em que o punho do Luffy fica enorme? Porque tem uma cena na Parte 2 do Naruto em que mão do Choji fica bem grande…

K: Isso mesmo.

O: Foi uma surpresa ver aquilo, então quando chegou a hora de mostrar o Gigant Pistol, eu avisei a ele “Olha, eu vou meio que copiar o seu estilo. Desculpa.”

K: Mesmo não sendo nenhum grande problema. (risos)

O: Mas foi graças ao Kishimoto que os nossos dois mangás puderam ser publicados ao mesmo tempo, na mesma revista.

K: Bem, no instante que alguém me disse que o Naruto era parecido com o One Piece, já sabia que não tinha chance. Mas eu realmente senti a influência do Oda às vezes.

O: Ah, tá. (risos)

K: Teve uma vez, não me lembro quando, quando eu te perguntei em particular sobre a sua abordagem para escrever mangás. Eu queria saber como se sentia a respeito.

O: Você se lembra do que eu disse?

K: Ele esqueceu. (risos) Você disse, “A questão não é desenhar bem. É se desafiar todas às vezes em que faz isso – é assim que você deve tratar o trabalho com mangás.” Aquilo me deixou impressionado.

O: Digo, o momento em que você está de costas para a parede – esse é o momento em que você desenha com emoção.

K: É, acho que isso é verdade. É igual a forma como o diálogo dos personagens nunca vai ficar bem até você colocar o sentimento de verdade. Sem isso, não tem aquele espírito.

O: É, você não consegue transmitir nada. Você tem que pensar com força, e desenhar com emoção.

E: Falando no desenho de personagens, o que você acha do estilo do Senhor Kishimoto?

O: Tudo o que ele desenha, ele desenha bem. Digo, ele tem muito respeito pelos animadores, e é por isso que as sombras dele são tão distintas.

K: É, eu tento fazer eles “aparecerem”. O Oda, por outro lado, prefere trabalhar com gradientes de cor.

O: Eu gosto de pintar tudo. Mas o físico do Luffy é um pouco diferente do resto das pessoas, então às vezes não faço ideia que tipo de sombra usar. (risos)

K: O Oda tem um ótimo senso de composição e layout. Não importa quantos personagens apareçam em um painel, ele faz tudo funcionar como uma imagem só. Você sente que cada quadro tem importância, dando a sensação de avançar a história. Isso torna o mangá divertido.

O: O Kishimoto gosta de assistir anime, e é por isso que aparecem todos aqueles efeitos que nunca se viu antes no mangá. O estilo de expressão dele é incrível. Como por exemplo, quando o Naruto e outros personagens usam técnicas ninja; deve ser um desafio de verdade ilustrar esses movimentos em uma escala tão grande, mas o Kishimoto nunca deixa de arranjar uma forma nova de mostrar tudo.

K: Eu gosto mesmo de efeitos, e sou bem exigente com eles. (risos)

O: Aquele que mais me surpreendeu foi quando um dos seus vilões ficou invisível e entrou debaixo d’água. Tudo o que dava para ver era a silhueta, e eu achei que ficou muito bem feito. Você mesmo inventou aquilo?

K: Devo ter usado isso no “Kakashi Gaiden”. Não me lembro bem dos detalhes.

O: Bem, usei aquilo como inspiração para o meu personagem invisível. (risos)

K: Ah, você tem um olho para essas coisas. Mas fico feliz em te ouvir dizer isso.

O: Também preciso comentar sobre as suas cores. Você sempre usa as melhores. Você costuma prestar muita atenção nisso?

K: Bem, nem tanto. (risos)

O: Você usa muitas cores moderadas e elegantes.

K: Uso.

O: Sempre gostei dessas cores, também. Mas como a audiência principal do One Piece são garotos mais novos, achei que eu deveria me esforçar para usar muitas cores primárias. E agora, bem, me acostumei muito com essas cores primárias, mas foi uma transição dolorosa. (risos)

K: Agora que você comentou, a sua paleta de cores sempre salta das páginas, não é?

O: Bem, essa é outra diferença entre o Naruto e o One Piece que provavelmente foi bom ter existido.

K: A forma como você usa cores no One Piece é bem complicada – nunca conseguiria fazer isso. Acho que essa é a sua arma secreta. Eu já li vários mangás, e nunca vi ninguém usar cores da forma como você usa. Achei que pudesse ser algum talento natural seu, mas foi algo que você se esforçou para alcançar. É incrível.

O: Agora eu desenho muitos arco-íris. (risos)

E: Havia alguma coisa que você tentava alcançar na sua arte no Naruto, Senhor Kishimoto?

K: Bem, os efeitos que mencionamos antes são um exemplo. Mas no Naruto, eu sempre quis mostrar todos firmemente de pé no chão.

O: Pode parecer óbvio, mas é mais difícil de conseguir do que parece. Você precisa saber exatamente onde fica o centro de gravidade do corpo – como, de que forma a posição do quadril é afetada quando o personagem levanta o ombro, e por aí. Esse senso de equilíbrio é crucial. É por isso que olhando para o Naruto, mesmo só a forma como ela fica de pé, dá para sentir a firmeza.

K: Você também faz isso muito bem.

O: Eu costumo mudar o chão para combinar com a forma como os personagens ficam de pé. O One Piece tem um monte de personagens de tamanhos diferentes, e percebo que não consigo desenhá-los do jeito como quero se eu começar pelo chão.

K: Eu me sinto do mesmo jeito sempre que desenho as Bijuus. É preciso levar o chão até elas.

O: Você é fã do Godzilla, então deve ter curtido bastante desenhar aqueles monstros enormes. (risos)

K: Definitivamente. Mas sempre que vou desenhar uma Bijuu, o meu tempo de entrega fica devagar. São muitos painéis para fazer.

O: É. Sempre que se desenha da perspectiva de um personagem grande, o quadro costuma incluir um monte de personagens menores, e isso cria várias coisas a ilustrar.

K: Mas não acho que ninguém bota tantos detalhes em cada quadro como você.

O: Não sei. Sempre achei que sua técnica das cópias dava trabalho.

K: As cenas com ela eram difíceis. (risos)

O: Mas isso é porque você é bem exigente. Digo, é sempre difícil quando se está no meio de um desenho, mas nada traz mais satisfação do que uma imagem bem eficaz. E os leitores também apreciam isso. Não me interessa quantos dias possa levar, eu quero publicar só páginas boas.

K: O problema é ter a energia para fazer isso. (risos) Mas ver como você encara o seu trabalho de frente também me dá vontade de fazer o meu melhor.

O: Mas, sabe, está ficando difícil realizar exposições como a Naruto Exhibition. Hoje em dia, todo mundo está passando a fazer ilustrações pelo computador, então daqui a pouco não vão haver mais desenhos originais para exibir. Acho que fazemos parte da última geração que pode criar exposições desse tipo.

K: “Última geração”, diz ele…

O: Somos praticamente fósseis.

K: Fósseis vivos. (risos)

O: Que sorte a minha – ter que entrar nessa nova era já fossilizado. (risos)

E: Quais são os seus personagens favoritos do Naruto, Senhor Oda?

O: Provavelmente o Rock Lee e o Might Guy. O Kishimoto conhece muito bem o Kung Fu dele.

K: Bem, cresci assistindo filmes do Jackie Chan. O que posso dizer?

O: E do ponto de vista do design, o Zabuza era muito legal. Acho que o Naruto decolou mesmo em popularidade durante a história com o Zabuza.

K: Aquele período foi bem difícil. Ficava com febre toda semana, e tinha que continuar desenhando. (risos)

O: Esse foi o período mais difícil durante o seu trabalho no Naruto?

K: Não, esse período provavelmente foi bem no fim. O último capítulo ia ser em cores, então precisei começar bem cedo. E como eles já haviam decidido em qual edição ele seria lançado, tive que adaptar a história para caber no cronograma. Mas quanto mais o capítulo final se aproximava, mais eu sentia que estava faltando espaço para encerrar as coisas. Normalmente eu deixaria para continuar o enredo na edição seguinte, mas agora eu não tinha como escapar. Sério, houveram momentos em que achei que estava perdido. (risos)

O: Mas eu não senti que o capítulo foi feito na pressa. O layout e os painéis tinham bastante margem. Mas tenho certeza que você já havia planejado tudo até o confronto final entre o Naruto e o Sasuke. Foi difícil chegar naquele ponto da história?

K: Sim, foi. (risos)

O: Acho que seria divertido para mim encerrar o One Piece de um jeito 100% satisfatório, mas chegar lá vai ser uma luta tremenda. Eu tenho um monte de ideias para o que posso fazer – mas tem razão, é muito difícil. (risos)

E: Qual foi a parte mais difícil na preparação do final do final do Naruto?

K: Foi como exatamente eu iria retratar o Sasuke. Até aquele momento, eu havia mostrado muito dos sentimentos interiores do Naruto sendo expostos, mas mantive os sentimentos do Sasuke totalmente escondidos. Eu sabia que iria revelá-los no final, mas não tinha certeza como chegar lá. Digo, eu havia decidido no começo que o clímax seria a batalha entre o Naruto e o Sasuke, então isso saiu mais ou menos como eu havia imaginado. Mas as coisas que aconteceram entre um ponto e outro não saíram exatamente como havia planejado.

O: Quando se vai ilustrar algo que estava na sua cabeça desde o começo, você pode acabar se cansando daquilo bem rápido. Então se você acabar tendo uma ideia mais interessante, é muito importante explorá-la. Não vá fazer algo só porque foi a sua ideia original – você também pode acabar decepcionando o leitor.

K: Exato. Quando a inspiração bate, você não pode ignorar.

O: E quando se chega lá, você tem que saber como continuar na próxima semana. Então a situação se torna “Ah não, o que faço agora?” (risos)

K: Você pode tentar arranjar alguma justificativa. Alguma coisa que seja consistente com o que veio antes. (risos) É por isso que eu acho que os mangakás que sabem improvisar desculpas criam os melhores trabalhos.

O: É, você tem que saber integrar tudo.

E: Pode ser cedo para perguntar isso, mas você já tem alguma ideia para a sua próxima obra, Senhor Kishimoto?

K: Bem, não tenho nada definido, mas queria experimentar trabalhar com ficção científica. Eu gosto de nuvens, então pode ser alguma coisa no céu. Eu fiquei com bastante inveja quando o Oda realizou a saga em Skypiea.

O: Você já comentou isso antes.

K: Gostei muito de ter lido aquela saga. Queria ter feito uma história como aquela, mas o One Piece fez antes… fazer o quê. (risos)

O: Lá vem você de novo, querendo não competir comigo. (risos) Bem, espero pelo menos que você possa ter uma folga.

K: Mas o negócio é que, depois que se termina uma série, você já quer começar outra. Não consigo parar de pensar que, enquanto estou relaxando, você ainda está lá, fazendo páginas.

O: Bem, fique à vontade para começar uma nova série quando quiser. (risos) Quando amigos autores acabam de terminar um projeto longo, eu costumo dizer a eles para conversarem comigo quando puderem, mas não vou fazer pressão. 15 anos de trabalho em qualquer coisa é bastante tempo. Você devia descansar um pouco.

K: Muito obrigado!

\\\ ♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦ ///

Não deixem de comentar a respeito, o que não falta é assunto [xD] e compartilhem nas redes sociais! Não deixem de comentar a respeito, compartilhar nas redes sociais, ou ate reagir com os emoticons abaixo, estes gestos são um grande incentivo para continuar trazendo novidades a vocês. O que acharam da entrevista e terem conhecido mais dos dois autores de mangas mais famosos do mundo

Grato desde já e ate a próxima jovens!

Fonte: One Piece Ex, Créditos de tradução vão para OroJackson, Rio Poneglyph, Ansem, One Piece Fórum, Brazilian Cara.

Did you find apk for android? You can find new Free Android Games and apps.